PÁGINA INICIALSOBRE MIMBLOGROLLCONTATO

19 dezembro 2014

Cidades são prisões

19 dezembro 2014 ///
  Eu estava dentro do ônibus mas meus pensamentos estavam fora. Eu estava olhando pela janela quando me flagrei sentindo solitária no meio de tantas pessoas. Eu não conhecia nada e nem ninguém ali naquela cidade e isso me assustou. Eu estava olhando em volta e percebi que tudo, inclusive eu, havia mudado. Além disso, percebi também que ambos continuaríamos sempre em processo de mudança.
  A palavra “mudar” no infinitivo é vista, muitas vezes, como sinônimo de desenvolvimento. Mas acho que quando “mudar” se transforma em “mudar-se” – de casa, cidade, estado, país ou algo desse tipo – pode acabar sendo vista como sinônimo de sofrimento.
  Placas na estrada deveriam ser apenas objetos que indicam limites de território, mas para mim é muito mais do que isso. Cidades são prisões. Uma cidade pode nos prender de maneira tão intensa que seria quase impossível se desvencilhar das correntes.
  No ônibus, sinto uma lágrima caindo pelo meu rosto... há dias que elas insistem em dizer olá. Choro pelo meu amor verdadeiro, que carregarei para sempre em meu coração mas que está preso a outra cidade. Choro pelos meus amigos verdadeiros, que são poucos, mas com certeza farão falta. Choro pela minha mãe, que não faz ideia do quanto a invejo por conseguir não se sentir presa a nenhuma cidade. Choro mares por não poder fazer nada, por não poder diminuir a distância existente entre dois lugares.
  Para ser sincera, tenho sentido essa sensação de sufocamento em todas as cidades que visito. Eu sempre sinto que não pertenço àquele lugar. E isso é tão triste e melancólico porquê mesmo em outro país me senti dessa forma. Sinto como se eu soubesse – e sei – que eu nunca me sentiria em casa em qualquer lugar do mundo. É, ao mesmo tempo, a pior e a melhor coisa do universo só se sentir em casa quando se está nos braços da pessoa amada.
  Olhando para os edifícios à minha frente, fico pensando que talvez os braços do meu amor pudessem ser uma cidade e desejando que então eu fosse presa de forma tão intensa que eu nunca iria conseguir escapar. Na verdade, eu não iria querer escapar.
  Detesto toda essa história de mudar de cidade. Tudo isso que envolve ter que me deslocar para outro lugar me deixa esgotada. O final da pena é agora, e eu não sei se quero me desvencilhar das correntes que me prendem.
  Andando em frente e olhando rostos desconhecidos, penso comigo mesma que o sentimento que sinto pelo meu amor é muito mais forte do que todas as correntes que provavelmente irão me prender. E, se for preciso, eu escaparei de todas as prisões para poder ficar nos braços do meu amado.
  Subo no outro ônibus e dessa vez sorrio.


-
Olá, babys! Desculpe por ficar dias sem postar nada... acho que pelo texto deu para entender minha situação. Beijos e até a próxima (juro que tentarei postar com mais frequência)!


Nenhum comentário:

Postar um comentário


COPYRIGHT © 2016 | TODOS OS DIREITOS RESERVADOS
DESIGN E DESENVOLVIMENTO POR Escolhas Criativas